Olá,
Faz anos que o cinema americano vive uma onda de remakes, reboots e spin-offs. A indústria que, durante décadas, criou tendências e lançou obras originais e criativas parece estar em um ciclo interminável de apelo à nostalgia. A nova evidência dessa necessidade de explorar caminhos já conhecidos do público é o lançamento de “O Diabo Veste Prada 2”, que tem sido vendido pela Disney como um grande reencontro dos seus personagens principais. Mas essa continuação é só mais um exemplo de uma tendência cada vez mais evidente: a falta de imaginação e criatividade em Hollywood. No lugar de roteiros inéditos e novos rostos, os grandes estúdios preferem recorrer à segurança. É como se a cadeia produtiva do cinema americano tivesse entrado no modo automático, relançando antigos sucessos com uma nova aparência. O motivo comercial parece ser o mais óbvio para justificar essa escolha. Eles já vêm com uma base de fãs pré-existente, um nome reconhecível, ou seja, é preciso se dar menos explicações no roteiro, e a promessa ao público de reviver algo que já deu certo.
Mas, sinceramente, na grande maioria dos casos, o resultado soa artificial. Destaco negativamente nesse aspecto “Gladiador 2”, que promete muito mas não chega aos pés de “Gladiador”. Esse é o motivo que me leva cada vez mais a querer conhecer o cinema fora desse roteiro americano comercial.
No biênio 2025-26 tivemos uma série de ótimos filmes que fogem do eixo hollywoodiano, como os cinco indicados ao prêmio de melhor filme internacional do Oscar: “O Agente Secreto”, “Valor Sentimental”, “Sirãt”, “Foi Apenas um Acidente” e “A Voz de Hind Rajab”. Além de outras obras originais como “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “A Única Saída”, de Park Chan Wook, que também merecem destaque. E até mesmo filmes independentes americanos: “Pai Mãe Irmã Irmão”, de Jim Jarmusch, e “Dead Man’s Wire”, de Gus Van Sant.
Aproveitando o momento de falar do cinema que acontece fora do eixo de Hollywood, segue abaixo a lista dos 22 filmes indicados à Palma de Ouro de 2026, que ocorre de 12 a 23 de maio, em Cannes, na França. Infelizmente não temos nenhum filme latino americano.
- “All of a Sudden”, de Ryusuke Hamaguchi, que dirigiu “Drive My Car”.
- “Garance”*, de Jeanne Henry.
- “El ser querido”*, de Rodrigo Sorogoyen.
- “Histoires de la Nuit”*, de Léa Mysius.
- “Amarga Navidad”*, de Pedro Almodóvar, que dispensa apresentações.
- “La bola negra”*, de Javier Ambrossi e Javier Calvo.
- “Coward”*, de Lukas Dhont.
- “The Dreamed Adventure”, de Valeska Grisebach.
- “Fatherland”, de Pawel Pawlikowski, que dirigiu o ótimo “Ida”.
- “Fjord”*, de Cristian Mungiu.
- “Gentle Monster”*, de Marie Kreutzer.
- “Hope”, de Na Hong-jin, do excelente “The Wailing”.
- “Notre Salut”*, de Emmanuel Marre.
- “The Man I Love”*, de Ira Sachs.
- “Minotaur”, de Andrey Zvyagintsev, que dirigiu “Leviatã”.
- “Moulin”*, de László Nemes, que dirigiu um dos melhores filmes da década passada, “O Filho de Saul”.
- “Nagi Notes”, de Koji Fukada.
- “Paper Tiger”*, de James Gray.
- “Histoires Parallèles”*, de Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscar por “A Separação” e “O Apartamento”.
- “Sheep in the Box”, de Hirokazu Kore-eda.
- “L’Inconnue”*, de Arthur Harari, que escreveu o espetacular “Anatomia de Uma Queda”.
- “La Vie d’une Femme”*, de Charline Bourgeois-Tacquet.
Os filmes com * após o nome estão com o título no seu idioma original.


