O projeto Arte e Cultura Guarani-Mbya Rembiapo, foi selecionado em primeiro lugar pela política cultural de Canela, através das emendas impositivas da Câmara Municipal, com apoio da Prefeitura de Canela e o departamento de Cultura de Canela. Trata-se da criação de um roteiro étnico-cultural, um roteiro de turismo focado na imersão nas tradições, história, gastronomia e estilo de vida da comunidade guarani YVYÃ PORÂ. O roteiro valoriza a ancestralidade e o patrimônio imaterial, proporcionando vivências autênticas, que fortalecem a identidade local e geram renda para a comunidade, onde moram cerca de 50 pessoas.
Os visitantes foram recebidos na primeira edição com cantos do Coral Guarani, que falavam de alegria, força e pensamento positivo perante as adversidades. “Caminhamos todos juntos no caminho certo, no caminho sagrado”, cantaram os guaranis. O canto era acompanhado pelo violão, pelo chocalho e por um bambu batido na terra, que marcava a melodia. Com grafismos pintados no corpo, as mulheres e os homens dançavam em roda, com movimentos repetitivos. O Cacique Marcelo explicou que a dança faz parte do ritual preparatório para entrar na Casa de Reza. Atualmente a aldeia ainda não conseguiu construir a sua Casa de Reza, mas mostrou para as pessoas presentes (turistas, visitantes, autoridades e imprensa) um protótipo de como será feita a construção.
Oficina de Arco e Flecha e ervas medicinais
Antigamente os indígenas usavam o arco e flecha para caçar e pescar. Por conta da legislação atual, eles não caçam mais. O arco e flecha hoje se tornou recreativo. Durante 40 minutos os participantes do roteiro puderam experimentar a prática com flechas feitas com bambu. As ervas medicinais também foram destaque. Guiné, erva mate, lágrima de maria foram algumas das plantas apresentadas.
Futuro Ancestral
Depois da degustação da alimentação típica guarani (batata doce assada, pão de cinzas, mel e mingau), o Cacique Marcelo agradeceu, em uma roda de conversa, a presença de todos naquela tarde, onde a cultura Guarani foi mostrada com a alma de todos os indígenas presentes. Ele também frisou a necessidade de se preservar as florestas e a natureza num todo, porque é justamente ali que a vida natural se fortalece e protege todo ambiente, inclusive as cidades.
O etnoturismo está crescendo em todo o mundo e se consolidando como uma importante ferramenta de preservação cultural e desenvolvimento socioeconômico. Estimativas do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) indicam que a modalidade deverá injetar US$ 67 bilhões na economia global até 2034, refletindo o crescente interesse por experiências autênticas e sustentáveis, que conectam viajantes às tradições de povos originários.
No Brasil, o Ministério do Turismo tem investido em programas voltados ao turismo de base comunitária, promovendo roteiros que protegem e disseminam saberes milenares de comunidades indígenas e tradicionais. As iniciativas não apenas fortalecem as economias locais, mas também favorecem a conservação ambiental, criando uma alternativa sustentável de desenvolvimento em regiões de importância ecológica e cultural.
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