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Coluna da Gabi

Gabriela Ferreira

Distraídos

Nunca estivemos tão conectados com o que está fora de nós e, ao mesmo tempo tão necessitados de uma conexão com o nosso interior. Ao que parece, a ânsia de não perder nada e aproveitar tantos estímulos externos está fazendo com que nos falte tempo para estar conosco, e talvez até para ser.

Até no mundo do trabalho isso tem se refletido: pesquisa sobre o “Futuro do Trabalho”, realizada pelo Fórum Econômico Mundial, mostra que muitas das habilidades mais importantes para o mercado de trabalho agora são exatamente as de autoconhecimento.

O relatório mostra que, embora as habilidades tecnológicas sejam as que crescem mais rapidamente, várias das competências em ascensão são profundamente humanas: pensamento criativo, resiliência, curiosidade, aprendizagem contínua, liderança e pensamento analítico. Daz dez primeiras habilidades apenas 3 são consideradas tecnológicas, como domínio de inteligência artificial, conhecimento de redes e cibersegurança e o próprio letramento tecnológico. Por outro lado, as outras sete são Pensamento criativo; Resiliência, flexibilidade e agilidade; Curiosidade e aprendizagem ao longo da vida; Liderança e influência social; Gestão de talentos; Pensamento analítico e Gestão ambiental. Assim, na era em que os avanços tecnológicos acontecem com cada vez mais rapidez e intensidade, o que mais se pede do ser humano é a sua evolução.

Andamos distraídos de nós.

Você sabe realmente o que está sentindo? Porque estamos tão acostumados a “ter que” administrar emoções, que talvez estejamos desaprendendo a escutá-las. Temos que estar sempre bem e superar as adversidades; a emoção tida como negativa precisa ser identificada, resolvida e superada. “Vida que segue”, eles dizem, e empurram, sem digerir, suas próprias tristezas. Só que algumas coisas simplesmente precisam de tempo, não de ação.

Você sabe realmente o que pensa? Ou está embarcando no trem do mainstream do momento, pegando carona no bonde da maioria? Quanto espaço ainda existe entre aquilo que ouvimos e aquilo que concluímos? Em tempos de excesso e velocidade de informação, e disputa acirrada pela nossa atenção, as ferramentas talvez sejam mais eficientes que nossa capacidade—e tempo—para refletir.

E o sentir e o pensar nos leva ao terceiro ponto: você sabe o que você quer? Porque isso é consequência das duas respostas anteriores, e possivelmente a pergunta mais difícil. Queremos muito, sim, temos listas enormes e ambiciosas, mas de onde elas nascem? Do que sentimos e do que pensamos ou do que escutamos que é uma vida interessante, um trabalho legal e até um passatempo favorito adequado? Tem regra para tudo. Será que queremos certas coisas porque queremos ou porque aprendemos que uma vida desejável deveria incluir essas coisas?

Como diz Byung Chul Han em Sociedade do Cansaço, o maior desafio do nosso tempo talvez não seja acompanhar o mundo, mas encontrar tempo para parar, escutar a nós mesmos e descobrir o que somos. O que sentimos, pensamos e queremos.

Sempre que possível, não se distraia.

Para saber mais:

Futuro do Trabalho:

https://www.weforum.org/stories/2025/01/future-of-jobs-report-2025-jobs-of-the-future-and-the-skills-you-need-to-get-them/?utm_source=chatgpt.com

https://www.galena.com/blog/habilidades-do-futuro-segundo-o-relatorio-futuro-do-trabalho-2025

Sociedade do Cansaço:

https://www.casadosaber.com.br/blog/sociedade-do-cansaco-conceito-de-byung-chul-han-explicado

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