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Coluna da Paty

Patrícia Viale

Indígena quer terra, não formar gangue

A causa indígena não é assunto recente. A causa indígena remete ao tempo do “descobrimento” do Brasil, quando os portugueses afirmaram terem descoberto uma nova terra. Mas neste território, em 1.500, já vivia uma população estimada entre 3 a 5 milhões de indígenas, organizados em centenas de povos com línguas e costumes diversos, com destaque para os grupos Tupi na costa.

Estas aldeias viviam da caça, pesca, coleta e agricultura (principalmente mandioca). Após a chegada dos portugueses, os povos indígenas enfrentaram um processo devastador de genocídio, etnocídio e expropriação de terras. Cerca de 90% da população nativa foi eliminada no primeiro século, principalmente por doenças europeias, escravidão e conflitos armados. Houve também a imposição cultural e religiosa dos conquistadores.

De lá prá cá, indígenas pedem a demarcação de terras para garantir sua sobrevivência física e cultural, pois o território é sagrado, fonte de subsistência e base de sua identidade. A terra assegura a manutenção de tradições, segurança alimentar, saúde e proteção contra conflitos, exploração e desmatamento. A terra não é um bem comercial, mas a base do “bem viver”, da ancestralidade e das crenças. É onde a vida social e o conhecimento de cada povo se desenvolvem.  As demarcações de terras indígenas no Brasil avançaram nestes últimos anos, com destaque para a homologação de novas áreas durante a COP30, que ocorreu em 2025, em Belém, Pará. No entanto, o ritmo é considerado lento por especialistas. O marco temporal continua sendo o principal entrave jurídico. 

A luta indígena pela terra é uma questão de sobrevivência física, cultural e espiritual. Territórios demarcados garantem a manutenção de seus modos de vida tradicionais, segurança alimentar, proteção contra violência, preservação da ancestralidade e a conservação ambiental. A terra é vista como sagrada, essencial para sua saúde e identidade, sendo fundamental para o plantio, colheita e uso de remédios naturais. 

Já uma gangue se forma através da associação de três ou mais indivíduos que compartilham uma identidade comum, símbolos, controle territorial e se dedicam a atividades ilegais ou violentas. A formação costuma ser impulsionada pela necessidade de proteção, pertencimento, ganho financeiro ou influência, com estrutura hierárquica e regras próprias. Indígena quer terra demarcada para produzir alimento e cultura para viver, enquanto isso não acontecer vai ser somente sobreviver.

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