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Exposição Fotográfica para presenciar conhecimento sobre a identidade do povo Kaingang

Neste projeto de cocriação, as mulheres da Aldeia Kógūnh Mág usam a fotografia e narrativas para mostrar como seus corpos e suas vidas estão inseparavelmente conectados à sua terra (Corpo-Território).

É um convite ao diálogo intercultural, que visa desmistificar estereótipos e reafirmar a mulher Kaingang como produtora de conhecimento e memória viva da biodiversidade. (Corpo-Território). É um convite ao diálogo intercultural, que visa desmistificar estereótipos e reafirmar a mulher Kaingang como produtora de conhecimento e memória viva da biodiversidade.

Esta exposição fotográfica propõe um mergulho na cosmovisão e na luta do povo Kaingang, tendo como conceito epistemológico central o Corpo-Território. Este termo, fundamental no pensamento geográfico e decolonial latino-americano, especialmente nos estudos de Lorena Cabnal, Angélica Kaingang e hoje muitas autoras ligadas ao movimentos de mulheres indígenas e feministas decoloniais, transcende a ideia de corpo como mera entidade biológica e de território como simples extensão de terra. Para os povos originários, e notadamente para as mulheres Kaingang, o corpo é a primeira porção de território a ser defendida, sendo o ponto de partida para a existência e a resistência.

Na perspectiva dos movimentos indígenas e feministas, o Corpo-Território mostra que a dominação, o sofrimento e a luta pela vida se manifestam primeiramente na carne e na existência individual. Ao mesmo

tempo, ele estabelece uma relação recíproca onde o corpo é um arquivo vivo de saberes ancestrais, e o território é percebido como um Território-Corpo vivo e pulsante.

Procuramos mostrar nessa exposição que para as mulheres Kaingang, essa interconexão é visível e se mostra na prática. O corpo da mulher é o principal depositário e transmissor da memória biocultural. É nele que reside o conhecimento sobre o uso das plantas alimentícias e medicinais, os ciclos da natureza, as técnicas de cura e as práticas de manejo sustentável. A saúde do corpo está, portanto, diretamente ligada à saúde do território e muitas vezes a degradação da terra é sentida como uma agressão ao próprio corpo. A defesa da terra contra a exploração e a violência é, simultaneamente, a defesa do seu próprio corpo contra a opressão colonial. Lutar pelo direito de existir em um ambiente equilibrado é lutar pela sua existência e pela continuidade de seu modo de vida. O território não é apenas um recurso, mas o lugar onde a identidade Kaingang se materializa. Cada gesto, seja na coleta de ervas, no preparo de alimentos ou na transmissão de mitos, é uma forma de educação indígena que reafirma a soberania do povo sobre seus saberes e sua cultura. As fotografias capturam essa dinâmica, mostrando como o corpo da mulher se torna o mapa vivo que guia as novas gerações no território.

Esta exposição é um convite a olhar e a compreender essa, ou essas unidades. Ao sermos convidados à olhar e sentir as imagens escolhidas pelas mulheres Kaingang e pelas curadoras, não vemos apenas indivíduos, mas sim a expressão de um Território-Corpo que respira, cura e resiste. É um ato de reconhecimento da sabedoria ancestral e um reforço à sua luta contínua pela manutenção da vida e da cultura em seu território.

Local da Exposição:

22/11 – período manhã e tarde

Escola Estadual Educação Indígena Jagtyg Fykóg (Canela)

Maiores informações com Ana Oliveira (Agente Cultural MINC) 54 9134-7635

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