Dentro de mim tinha uma dicotomia entre não acreditar em Deus, mas acreditar em fantasmas!? Esquisito! Não entendia isso. Depois de muita terapia e pesquisa, compreendi alguma coisa: existe o universo, uma coisa infinita e Deus que fica por esse infinito. Ambos estão inseridos nas perguntas:
O Universo sempre existiu? Ou em algum momento alguém o criou?! E quem cria o criador?!?
Bem, essas perguntas não serão respondidas em nossa humanidade, mas os fantasmas são daqui, terrenos, pertencem as minhas andanças por esse pequenino espaço do universo. Alguns eu mesmo criei, e deixei eles amendrontadores. Outros, foram outros que criaram, e às vezes, tornaram-se aterrorizantes.
Me formei em engenharia elétrica, um dos meus fantasmas. Lá aprendi sobre um dos mistérios da micro natureza que muito me encucava, como a corrente elétrica passava pelo fio? Ela existe fisicamente? Sim, ela é uma orientação de elétrons exitados dentro do fio. Com essa orientação a fiação transmite uma das quatro forças do universo, a eletromagnética. Do outro lado do fio, o calor dessa força em contato com o oxigênio produz a faísca: luz, calor e som; relâmpago, raio e trovão, respectivamente.
Tudo isso para trazer um momento de vida, onde tudo isso se encaixa, quando eu estava num projeto de transmissão de energia via torres para alimentar as cidades e fábricas. Eu monitorava os efeitos da natureza no aço dos cabos que sustentam as torres e instalei alarmes em vários pontos para detectar também as ações de animais, inclusive humanos. Me hospedei em um hotel numa pequena cidade. Já era noite e elaborava alguns relatórios, quando os sensores de duas torres disparam simultaneamente. Elas ficam distantes uma da outra e apesar de ser a noite, resolvi ir até lá para verificar o que acontecia.
Naquele trecho, as torres passam dentro de uma mega fazenda, onde os seguranças estavam avisados dos experimentos com elas e eu tinha autorização para entrar. Peguei o carro e segui, passei por duas porteiras e subi uma pequena elevação. Ao chegar no topo, parei para fumar um cigarro e observar o campo a distância. Sentei no capô da pick up e fiquei olhando. Fiquei viajando um tempo, deixando o olho se acostumar com o escuro. Quando de repente, uma massa de nuvens se iluminou e veias elétricas correram pela noite, seguidas de um enorme estrondo. Na minha frente as torres se iluminaram e pareciam um exército de gigantes, andando em fila e abrindo espaço por onde passavam e acima delas um grande cérebro com suas sinapses. Senti o poder se manifestando. No estado de espírito em que fiquei, minha mente fotografou: eu, os gigantes, o grande cérebro, as estrelas, as galáxias, o universo, Deus …, ainda não! Quem sabe num futuro, agora vou verificar os meus fantasmas.


