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Manter a floresta de pé é a principal estratégia do Brasil para mitigar as mudanças climáticas

O mundo todo está buscando conhecimento e soluções para questões relacionadas ao aquecimento global e aos problemas ambientais. Um dos focos de atuação dos pesquisadores é o estudo dos diferentes tipos de formações florestais e seu papel na remoção do dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Por serem capazes de armazenar quantidades significativas de biomassa, as florestas são um componente importante do ciclo de carbono, pois as plantas absorvem CO2. Porém a contribuição de cada tipo de formação nesse processo é variável. Na UFRGS, a pesquisadora de pós-doutorado Kauane Maiara Bordin, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, voltou-se ao estudo das florestas subtropicais do Sul do Brasil para quantificar a biomassa  estocada e avaliar quais os fatores que estão relacionados a esses estoques. Os primeiros resultados desse trabalho foram publicados em março de 2021, em artigo na revista Forest Ecology and Management, mostrando que os principais fatores relacionados ao estoque de biomassa nessas florestas são o clima e a proporção de árvores grandes. A biomassa é uma medida da estrutura da floresta, muito relacionada à estocagem de carbono nas árvores. Sua quantificação é obtida a partir de uma equação que combina a altura, o diâmetro e a densidade da madeira das árvores.

 

Influência do Clima

O clima, caracterizado por variações anuais na temperatura, afeta negativamente a estocagem de biomassa, enquanto a alta proporção de árvores de grande porte influencia positivamente, ou seja, florestas mais velhas, que possuem árvores grandes, são responsáveis por estocar quantias maiores de biomassa.

O estudo indica que essas florestas estão desempenhando um papel fundamental na persistência de longo prazo do armazenamento de carbono, uma vez que as árvores grandes respondem por 64% da biomassa total armazenada nas florestas pesquisadas. Já a variação anual de temperatura teve um efeito negativo, indicando que os locais que têm muita amplitude térmica tendem a acumular menos carbono ao longo dos anos. Os achados são importantes porque evidenciam que a conservação dessas áreas –, já que permite que as árvores atinjam tamanhos grandes – é fundamental para a manutenção da estocagem de carbono. Em relação à influência da variável climática, Kauane explica que: “Esse efeito nos acendeu uma luz, porque as mudanças climáticas podem fazer com que, no futuro, ocorram eventos extremos de frio e calor, impactando negativamente os estoques de biomassa e o ciclo do carbono de modo geral”.

 

A pesquisa

A grande novidade do estudo é que a relação entre o porte das árvores e a capacidade de estocar carbono ainda não era conhecida para a região Sul do Brasil. “Temos muitos estudos que falam da região da Amazônia, mas aqui para o Sul da América do Sul, que compreende essa grande área subtropical de florestas, não tínhamos ainda nenhuma publicação que relatasse esse padrão”, afirma Kauane. Ela explica também que em outras regiões “se percebe a influência de outros fatores, mas aqui o determinante foi de fato essa quantidade de árvores grandes que a floresta tem”.

Kauane ainda enfatiza que “É preciso preservar estas áreas florestais, porque elas são o reservatório de carbono na região dos Campos de Cima da Serra, no sul do Brasil. As florestas além de preservarem a biodiversidade fazem a remoção do carbono, que é algo muito valorizado hoje em dia no mercado de carbono nacional e global.”

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