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Belo caos – Altino Mayrink

Os momentos que não tem muitas descrições por serem aleatoriamente desprovidos de unidade nos causam algum desconforto ao se confrontar. Quem já enveredou por entrepostos da rede de abastecimento nacional, em suas horas madrugadoras entende o que eu digo. Saídas de escolas muito grandes e próximas que concentram o término das aulas em horário similar também é um exemplo. O afluxo de veículos nas horas próximas aos feriados prolongados em cidades grandes precisam de paciência redobrada para se viver a experiência. Parecem exclusividade de grandes metrópoles, mas não é. Aos que gostam da “teoria do caos”, eu desejo uma vida-longa para não se desiludirem em vão.

Para alguém que mantém a própria mesa da sala como um profundo esconderijo para tudo que busca diariamente, me furto de tentar mostrar alguma solução possível. Desejo apenas dar meu pitaquinho de solidariedade a todos que tem que enfrentar essas situações. Não desanimem, a vida pode ser muito mais dolorosa para aqueles que tem que manter tudo em seu controle pessoal. Trabalho inglório e pouco edificante, que acaba com quase todas as relações e não os torna exemplos para serem ovacionados e perseguidos. Até a Mary Kondo, conhecida por ser a “guru” da arrumação da casa, pediu arrego após se casar e ter filhos. Filhos, aliás, são ponto de partida para qualquer quebra de paradigmas de arrumação que se tinha antes deles.

Minha única e apetitosa contribuição para as pessoas que me leem (se é que ainda sobrou algum), é largarem tudo para trás e fazer uma viagem. Se possível, sozinho. Não indico roteiros, lugares, nem mesmo uma época específica. Só viaje.

Pode (apenas digo que pode) ser que você se encontre em uma varanda de um hotel a beira do mar, em uma praça larga, tomando seu café da manhã após uma relaxante noite de sono (é preciso que ao se viajar tenhamos boas noites de sono). Em dado momento, sua paisagem é invadida por dezenas de pessoas, todas portando cestos de vime, em busca do pescado recém-chegado de alto-mar. A vista dos barcos a beira-mar, os pescadores retirando suas redes, tudo fica encoberto pela turba, caótica mas não sem regras, que vem se deliciar ao alcançar produtos tão frescos para suas refeições.

Ainda que por um pequeno período de tempo, sua mente acordada a pouco se obriga a entender o que você registra nas suas retinas. Muito movimento, nenhuma ordem aparente. Esteja certo, esse desconforto vai se transformar na cena caótica de maior beleza estética que você já presenciou. É só relaxar, como manda o manual do bom viajante. E não precisa nem fotografar.

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