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Coluna da Gabi

Gabriela Ferreira

Ruído e silêncio na sociedade da [des]informação

O Termo infodemia foi definido pela Organização Mundial da Saúde como o excesso de informação, incluindo informações falsas ou enganosas, em ambientes digitais e físicos, durante o surto de uma doença. Ela causa confusão e comportamentos de risco que podem prejudicar a saúde e leva à desconfiança nas autoridades, prejudicando a resposta delas ao enfrentamento do problema.

Essa definição foi popularizada em 2020, especificamente no contexto da pandemia de COVID 19, mas estamos, até hoje e cada vez mais, imersos em um contexto de falsas informações. O excesso de dados, por si só, já é um problema para nossa atenção e nossa saúde, visto que estamos expostos a um fluxo contínuo de “urgências” que criam um cenário crescente de fadiga cognitiva. Segundo dados do Ministério da Previdência Social o Brasil registrou, em 2025, um novo recorde de afastamentos do trabalho por transtornos mentais, mais de 546 mil registrados no ano. Apesar de não ser estabelecida uma relação causal direta, dados de pesquisas sugerem que as chamadas fake news podem atuar como um fator de estresse psicossocial, contribuindo para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade. A desinformação foi, inclusive, apontada em 2025, pelo Fórum Econômico Mundial, como o maior risco de curto prazo para a humanidade.

Recentemente o problema foi potencializado com o aumento do uso da inteligência artificial e, no Brasil, conteúdos falsos criados por IA mais que triplicaram entre 2024 e 2025. Além de ser uma espécie de “poluição informativa”, as falsas notícias geram medo e comprometem a confiança nas instituições e nas relações humanas de forma geral.

E, se por um lado temos muito ruído, de outro temos vazios silenciosos. Os “desertos de notícias” assim chamados os locais onde a população tem acesso limitado a informações apuradas e confiáveis, o que dificulta a cidadania e a fiscalização do poder público, afeta cerca de 27 milhões de brasileiros. Segundo o Atlas da Notícia 2025, nos últimos dois anos, houve uma redução de 7,7% no número de desertos de notícias no Brasil, e 208 municípios brasileiros contam atualmente com ao menos um veículo de comunicação local servindo a sua população.

A responsabilidade dessa expansão é diretamente do segmento digital e do jornalismo independente. E embora 46% dos brasileiros relatam evitar notícias, de acordo com relatório do Instituto Reuters,  refletindo uma tendência global de cansaço com a cobertura mediática, o público brasileiro mantém um alto interesse em jornalismo digital. A grande questão aqui é, com o sempre, escolher bem as fontes: independência, seriedade e informação de qualidade é, cada vez mais, um bem público fundamental, inclusive, para a saúde mental da população. Ou seja, em tempos de barulhos vazios, um jornalismo sério é, ao mesmo tempo, um ato de resistência e cuidado.  

Para saber mais: 

Influência das fake news no Transtorno de Ansiedade:

https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/download/70496/49671/173255

Relatório de Riscos Globais:

https://reports.weforum.org/docs/WEF_Global_Risks_Report_Press_Release_2025_PT.pdf

Atlas da Notícia:

https://atlas.jor.br/atlas-v-7/reducao-dos-desertos-de-noticias-no-brasil-e-impulsionada-pelo-crescimento-do-segmento-online/

Relatório Reuters:

https://static.poder360.com.br/2025/06/Reuters-Institute-Digital-News-Report-2025-1.pdf

 

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