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Izaias Reginatto

Polêmica

Olá,

Polêmica. Durante a coletiva de abertura do 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, um dos festivais mais relevantes da Europa, uma declaração do presidente do júri da atual edição causou impacto imediato. A Berlinale é considerada um dos festivais mais politizados desde a sua concepção, em 1951. Atualmente, o evento possui diversas mostras paralelas que destacam a diversidade de visões, experimentações estéticas e um olhar particular para obras que abordam questões de gênero. Ao ser perguntado sobre por que a curadoria desta edição ignorou filmes que falassem sobre a Palestina, e ter dado voz para filmes que expõem situações no Irã e na Ucrânia, o cultuado diretor Wim Wenders disse: “Nós temos que ficar longe da política”, e seguiu dizendo que, se os realizadores produzirem filmes políticos, eles estariam entrando no campo da política. E continuou: “Nós somos o contraponto da política, somos o oposto da política. Nós temos que fazer o trabalho do povo, não o trabalho dos políticos”.

A contradição com o que o próprio Wim Wenders já declarou é marcante. Nascido na Alemanha em 1945, ele é considerado uma das figuras centrais do Cinema Novo Alemão, movimento similar ao Neorrealismo Italiano, à Nouvelle Vague francesa e ao nosso Cinema Novo. Em seu livro “A Lógica das Imagens”, ele argumenta que “Todo filme é político. Os mais políticos de todos são aqueles que fingem não ser: os filmes de entretenimento’. Eles são os filmes mais políticos que existem porque descartam a possibilidade de mudança. Em cada quadro, eles te dizem que está tudo bem do jeito que está. Eles são uma propaganda contínua das coisas como elas são.”

O diretor brasileiro Karim Aïnouz, que concorreu ao Urso de Ouro com a obra “Rosebush Pruning”, criticou a posição de Wim Wenders e afirmou à Folha de S.Paulo: “Acho que o Wenders foi infeliz. Até porque ele faz um cinema profundamente político e transformador”. E, ao comentar sobre a sua própria obra, Karim expressou: “Para mim, fazer cinema sempre foi um ato político. Um ato que, de fato, eu tento questionar, criticar, provocar um estado de coisas que eu acho que não está justo, através de um personagem que nunca vi representado e que eu estou representando, ou através de uma história que não foi contada e que eu estou recontando. Então, acho que sempre foi. Não tem como não ser um ato político.”

O Urso de Ouro da Berlinale de 2026 foi para o drama político “Yellow Letters”, do diretor alemão Ilker Çatak. O Urso de Prata foi para o longa “Salvation”, do diretor turco Emin Alper, e o Urso de Prata de Melhor Atuação Principal foi para a excelente Sandra Hüller, no drama histórico “Rose”.

A edição de 2026 da Berlinale contou com doze obras de diretores brasileiros, sendo duas delas com produção estrangeira:

  • “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai. 
  • “Feito Pipa”, de Allan Deberton. 
  • “Floresta do Fim do Mundo”, de Felipe Bragança e Denilson Baniwa. 
  • “Fiz um Foguete Pensando que Você Vinha”, de Janaína Marques. 
  • “Isabel”, de Gabe Klinger. 
  • “Narciso”, de Marcelo Martinessi.
  • “Nosso Segredo”, de Grace Passô. 
  • “Papaya”, de Priscila Kellen. 
  • “Quatro Meninas”, de Karen Suzane. 
  • “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira.
  • “Rosebush Pruning”, de Karim Aïnouz (com produção internacional). 
  • “Josephine”, de Beth Araújo (produção americana).


Destes, três obras foram premiadas. “Feito Pipa”, que é estrelada por Lázaro Ramos, recebeu duas premiações: o Urso de Cristal pelo Júri Infantil Generation Kplus e o Grand Prix, concedido pelo Júri Internacional da Mostra Generation Kplus. Já “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” venceu o Prêmio do Júri de Leitores do jornal Tagesspiegel, e o longa “Narciso” foi eleito o Melhor Filme pela Federação Internacional de Críticos de Cinema, dentro da Mostra Panorama.

Como não poderia faltar, abaixo segue uma lista de ótimos filmes que já passaram pelo Festival de Berlim e onde você pode assisti-los:

  • “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, disponível no Prime Video.
  • “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles, Netflix.
  • “Além da Linha Vermelha” (1998), de Terrence Malick, Disney+.
  • “Magnólia” (1999), de Paul Thomas Anderson, HBO Max.
  • “A Viagem de Chihiro” (2001), de Hayao Miyazaki, Netflix.
  • “Ilha dos Cachorros” (2018), de Wes Anderson, Disney+.
  • “O Grande Hotel Budapeste” (2014), de Wes Anderson, Netflix e Disney+.

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