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Harold and Maude – Ensina-me a viver (Hal Ashby, 1971) – Silvia Beatriz Alves Rolim

Assisto a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris de 2024 e o filme Ensina-me a viver invade coração e mente. O nome original é Harold and Maude, de Hal Ashby, e conta a história de amor de um casal improvável para o início dos anos 1970.

Assisto atenta ao que a França apresenta ao Mundo. Numa época de tantas tragédias, uma homenagem à nossa casa – a Terra, num desfile que nos reensina valores essenciais à uma existência acolhedora, diversa, empática e amorosa. Ao mesmo tempo que me emociono, o coração se divide com as lembranças desse tempo tão frágil e efêmero, quase invisível aos olhos e corações acelerados e perdidos de grande parte da humanidade.

Minha mente volta ao filme, retratado numa época de grandes transformações políticas, sociais e culturais. Lembro da minha mãe e suas camisas até quase o joelho, pintadas com desenhos psicodélicos em estilo “prafrentex”. Espiritualidade, consciência ambiental, livros do Hermann Hesse, Gabriel Garcia Marques, Castañeda, Bukowsky habitavam nosso  apartamento, numa época também conturbada no Brasil.

Harold é um velho de 20 anos. Maude, uma jovem às  vésperas de seus 80.

Harold vive numa mansão com sua mãe, simbolizando a família de classe alta, cuja vida opulenta e fútil contrasta com a efervescência dos protestos da época.

Na infância, após provocar e fugir de um incêndio, Harold passa a simular cenas de suicídio. Ele tenta repetir a sensação de ser amado, testemunhada no desespero de sua mãe ao pensar que ele havia morrido. Tentativas em vão, pois Mrs. Chasen é sofisticada, irônica e fria, desconectada emocionalmente do filho.

Na sua obsessão pela morte, Harold passa a frequentar enterros. Num deles encontra Maude, mulher com uma visão não convencional sobre a vida. É lá que ela vivencia a morte e reflete sobre a finitude e a existência, uma de suas diversas formas de celebrar intensamente a vida.

Faltando uma semana para os seus 80 anos e para sua planejada partida, os dois iniciam uma relação onde a cada cena Harold aprende a viver e amar de forma leve e sem medo, se libertando das limitações de uma vida superficial e sem propósito.

Passados mais de 50 anos, este filme continua atual na sua essência, nas reflexões de Maude e na trilha sonora de Yusuf Islam, à época Cat Stevens. E é num campo de margaridas que acontece um dos diálogos mais comoventes.

 – As margaridas são flores tão comuns. Crescem em todos os lugares…como ervas daninhas. Acredito que muita da tristeza do mundo vem de pessoas que são assim, mas permitem que as tratem de outra maneira. 

 – O que você quer dizer? 

 – Olhe para este campo, Harold. Cada uma dessas margaridas é diferente. Únicas à sua maneira. No entanto, tendemos a pensar nelas como todas iguais. É por isso que devemos olhar mais de perto… Veja. 

 – Eu entendo o que você quer dizer. Cada uma é única, mas todas são… iguais. 

 – Exatamente! Somos todos indivíduos, Harold. Mas todos devemos nos permitir florescer, cada um à sua maneira.

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