Estamos em fevereiro/2026 e já são 12 feminicídios registrados no Rio Grande do Sul. O último aqui na minha cidade, em São Francisco de Paula. Segue a lista:
• 03/01 – Guaíba – Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte – 31 anos
• 13/01 – Canguçu – Letícia Foster Rodrigues – 37 anos
• 18/01 – Santa Rosa – Marnês Teresinha Schneider – 54 anos
• 18/01 – Porto Alegre – Josiane Natel Alves – 32 anos
• 19/01 – Porto Alegre – Paula Gabriela Torres Pereira – 39 anos
• 20/01 – Sapucaia do Sul – Mirella dos Santos da Silva – 15 anos
• 20/01 – Muitos Capões -Uliana Teresinha Fagundes – 59 anos
• 24/01 – Novo Hamburgo – Karizele Oliveira Senna – 30 anos
• 25/01 – Tramandaí – Leila Raquel Camargo Feltrin – 24 anos
• 26/01 – Santa Cruz – Paula Gomes Gonhi – 44 anos
• 29/01 – Novo Barreiro – Marli de Fátima Froelick – 57 anos
• 07/02 – São Francisco de Paula – Ianca Diniz Soares – 30 anos
Estas mulheres não irão criar seus filhos, não irão envelhecer. Os perfumes dessas mulheres serão esquecidos, suas roupas serão doadas. Suas vidas se transformaram em mortes violentas, em pedidos de ajuda que não foram escutados. Dentro de pouco tempo esses nomes serão somente ausência.
A violência contra a mulher é algo tão banal e tão justificado, que matar é uma consequência natural. Se mata pela honra ofendida, se mata por não saber ouvir um não. A morte é castigo para quem se recusou a viver com o seu agressor. Quando uma mulher morre dessa maneira covarde, nossas entranhas se movimentam e gritam que morre o feminino que quer viver. Quando uma mulher é esfaqueada por um homem, ou asfixiada, ou baleada, ou atropelada, a sua morte nos mostra que qualquer outra mulher pode ser a próxima. Não há critério. Não há requisito. Não há idade. Eles estão nos matando porque estamos dizendo “não” para eles, porque estamos querendo cuidar das nossas vidas.

