Neste mês de janeiro anotei as pendências da casa e da vida em um caderno verde. O que falta fazer? O que é preciso limpar? Quais desapegos ainda serão praticados? Quais rotinas faltam incorporar no dia a dia? Durante estes primeiros dias de 2026 percebi que eu estava vivendo na corda bamba, vivendo afogada em um passado que não significa mais nada para mim. Perpetuando dores que foram criadas por irresponsabilidade alheia. Ainda estou de férias. Para quem trabalha com projetos culturais, o ano de trabalho inicia em março e por isso janeiro tá sendo tempo de faxina total.
A pergunta que me faço diariamente é “O que realmente tem valor para a minha pessoa?” e todos os dias eu respondo: me sentir em paz e realizar os meus sonhos. E sonhos não são projetos faraônicos. É sobre ter tempo para ler os livros que estão nas prateleiras, tomar sol, deixar o jardim verde, estudar literatura. Fui criando listas no caderno verde e conversando comigo sobre esses sonhos simples, mas às vezes muito trabalhosos. Manter um jardim não é fácil, exige dedicação, água e manutenção. Nem sempre esses elementos estão disponíveis. Mas também estou percebendo que sonhos podem ser adiados, e não serem cancelados, como muita gente propõe, quando os obstáculos começam a surgir.
O idealismo e a perfeição não foram criados pela natureza, mas pela mente humana. Não existe o ideal, nem o perfeito. Existe o adequado, o possível, o realocado, o adaptado. Muitas vezes gastamos anos de nossas vidas em busca de situações e vivências que somente existem nas nossas mentes. Não somos perfeitos, muito menos ideais. Somos humanos. E humanos têm a capacidade de construir, destruir, reorganizar, remontar. E esta capacidade está relacionada com valores, que escolhemos para as nossas vidas. Valores humanos é uma boa conversa, mas, conversa esta, que ficará para fevereiro, porque ainda temos alguns dias de janeiro e quero pintar a minha casa.


