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Coluna da Marta

Marta Schlichting

Você tem fome de quê?

Comecei o ano questionando que metas eu gostaria de ter em 2026, embora eu implique um pouco com a expressão “metas”, porque ela me remete à alta performance e produtividade. Na minha vida pessoal me dou ao direito de ter sonhos, o que considero menos rígido, até porque sou uma pessoa bastante comprometida com tudo o que faço. Não quero sofrimentos e culpas, não acho saudável a métrica “no pain, no gain”.

Um dos meus projetos para 2026 é investir ainda mais na alimentação saudável. Tentar cortar ao máximo os ultraprocessados, como bolachas (mesmo as de água e sal), sorvetes e refrigerantes, produtos que consumo raramente, mas que a intenção é me abster ao máximo. Recentemente, redigi um artigo para o Linkedin de uma marca que atendo, a Shambala Naturais, comentando as novas diretrizes alimentares dos Estados Unidos, lançadas nos primeiros dias do ano, e que causaram alvoroço nas redes sociais. Dei  ênfase ao fato do Brasil contar, há mais de 10 anos, com o Guia Alimentar para a População Brasileira, um documento reconhecido internacionalmente. Diferente das diretrizes norte-americanas, as nossas levam em conta o processamento dos alimentos, abordando de forma didática o que é alimento in-natura, o que é processado e o que é ultraprocessado.

Para quem desconhece o Guia recomendo muito dar uma olhada. Ele está disponível em versão digital no portal do Ministério da Saúde gratuitamente. Nele estão descritas quatro categorias de alimentos definidas de acordo com o tipo de processamento empregado na sua produção: em primeiro lugar, os alimentos in natura ou minimamente processados, obtidos diretamente de plantas ou de animais, seguidos pelos produtos extraídos de alimentos in natura. A terceira categoria corresponde àqueles fabricados com a adição de sal ou açúcar, como frutas em calda, legumes em conserva, queijos e pães. A última inclui os produtos que passam por diversas etapas e técnicas de processamento e é aí que mora o perigo.  Salgadinhos de pacote e macarrão instantâneo definitivamente não são alimentos.  

Eu poderia listar uma série de doenças crônicas associadas ao consumo excessivo de ultraprocessados, mas considero mais eficiente lembrar que “descascar mais e desembalar menos” é uma referência simples que vale a pena seguir. Claro que toma tempo, que pode ser cansativo, que pedir uma pizza ou um hambúrguer é muito mais prático. No fim das contas, minha “meta” não é nada simples, envolve organização, disposição e gerenciamento do tempo. Mas tenho certeza que basta de tanto lixo alimentar, calorias vazias, agrotóxicos, poluição. Preparar comida de verdade é também uma forma de dizer ao sistemão que não queremos essa vida feita de performances mirabolantes, pressa e o consequente stress que nos adoece.

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