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Coluna da Paty

Patrícia Viale

Não é Não

Não tenho o hábito de assistir o programa Big Brother, mas hoje o destaque é a saída do participante Pedro Henrique Espíndola do programa. Pedro desistiu do BBB 26 após ser acusado de importunação sexual contra Jordana. A Delegacia da Mulher no RJ abriu inquérito, e a Globo revelou imagens que mostram a tentativa do beijo à força. Ele admitiu a conduta, que o apresentador Tadeu Schmidt classificou como inaceitável.

Estamos no ano de 2026 e ainda é preciso dizer para alguns homens que não se pode beijar à força uma mulher. Não é Não. Não se pode beijar à força. Não se pode fazer sexo obrigada. Não é Não. É tão cansativo falar sobre isto. É tão cansativo ver isto acontecendo.

Pedro tem 22 anos e disse que queria beijar Jordana. Ele queria. Ela não queria, mas se o homem quer algo, parece que a mulher precisa aceitar e pronto. Pedro tem 22 anos e mostra que pessoas jovens podem ser autoritárias e intransigentes. Pedro tem 22 anos e ainda tem tempo para mudar. Mas ele quer mudar?

Em 2026 chegamos em um ponto, onde a vida nos mostra que a solução está no coletivo e não mais em decisões individuais: mudanças climáticas, desrespeito à terra, confronto com diferenças sociais e culturais, violência física e psicológica em demasia com mulheres. Não tem mais como não mudar. O egoísmo nos trouxe até aqui. A cobiça está acabando com a vida no nosso entorno. O orgulho nos impede de evoluirmos. E se a vida está difícil, imagina para as mulheres que ainda precisam conviver com o absurdo do machismo?

Não sou uma catequizadora. Sou uma jornalista, uma escritora e o que sei fazer é usar as palavras para contar histórias, para alertar, para expressar. “Não é Não” não é uma frase negativa. É uma regra. Não queremos mãos nos nossos corpos. Não queremos bocas atrevidas nas nossas bocas. Não queremos golpes na nossa história. Não queremos mais ser violentadas ou mortas porque não queremos um homem. Os homens macho deveriam honrar as calças que vestem e o tal ego de machões possessivos, da qual tanto se orgulham, e pararem de descontar suas frustrações em nós, mulheres. E como plano B, porque nem todos os machos sabem mudar, acredito que a mulherada deva denunciar. Denunciem! Denunciem os beijos forçados, os corpos violentados, o patrimônio roubado, as humilhações. Não se calem, mulheres!

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